segunda-feira, 23 de junho de 2008

DESENLACE



Só há luz
nesta manhã
mais nada...

Dizer azul
é subtrair matizes,
dizer águas
é trair espelhos,
dizer aves
é castrar-lhes os voos,
dizer que vi
é deixar de vê-los...
Pensar só em dizer
é desdizê-los...

Não posso estar
aquém
se meus olhos vão
além
em quietude...

Sopro de vida
que não pára,
alfa e ômega
num instante,
sou água em luz,
sou luz em mim
radiante...

Sou voos parados,
sou asas de querubim,
sou olhos de água,
eu, me, mim...

Sou eu? Venho ?
Sou outro? Vou?
Não?! Sim?!
SOU!
José Dias Egipto

3 comentários:

ana maria costa disse...

Curiosa esta construção de avanços e recuos deambulando nas questões mais priordiais da existência humana. A eterna dúvida e o eterno desconhecimento que leva à questão aquele que com o pensamento tenta abrir a caixa de Pandora.

Fica para a próxima e ainda bem!

abraços

Anónimo disse...

maravilha de texto, José! ele tem tudo - forma e conteúdo. Como sempre, aliás. Vc é um ótimo poeta!
Dalva Agne Lynch

Anónimo disse...

Ôi, José!

Tenho estado "fora dos ares internéticos" - porisso só agora degustando esse reu blog.
E esse poema divino,
caso, acaso, ou mera coincidência?

Acho q no Futuro vc será conhecido por "José Pessoa!"

E segue a dinastia da Poesia Portuguesa...

Sonya.